Braskem conclui compra da Quattor e cria gigante do setor

06/01/2010 14:31

As negociações em torno da incorporação da Quattor pela Braskem foram concluídas ontem, segundo uma fonte próxima das conversações, mas nada havia sido divulgado oficialmente até o fechamento desta edição. “A questão negocial já está encerrada. Só falta a questão burocrática de imprimir os documentos”, afirmou a fonte.

A petroquímica já reservou uma sala no Hotel Intercontinental, em São Paulo, para fazer o comunicado aos jornalistas. Segundo informações de funcionários, a sala foi reservada pela Braskem para um evento marcado para ontem, que foi cancelado.

A reserva foi mantida para hoje. O acerto prevê o aporte de R$ 3,5 bilhões na empresa resultante da união entre Braskem e Quattor, que está sendo chamada de Nova Braskem.

A maior parte do aporte será feita pela Petrobras, mas ainda assim a estatal terá participação minoritária na nova petroquímica. A Odebrecht, atual controladora da Braskem, continuará na gestão da empresa, com cerca de 50% do capital votante.

A companhia ainda terá acionistas minoritários, que hoje possuem menos de 7% do capital votante da petroquímica. Esses acionistas devem ser convidados a participar do processo de aumento de capital da nova companhia.

A Unipar, controladora da Quattor com 60% de participação, não será acionista da Braskem, como se previa. Segundo a fonte, a mudança nos rumos do acordo ocorreu no último final de semana.

A nova definição prevê que a Unipar receberá entre R$ 800 milhões e R$ 900 milhões por sua participação na Quattor.

A petroquímica foi incluída no negócio com valor de mercado de R$ 7 bilhões e dívida de R$ 6,6 bilhões. A diferença, aliada a um prêmio pela cessão do controle da nova empresa, será convertida em recursos para a Unipar.

O acordo também prevê que a Petrobras, além de ter participação acionária relevante na nova empresa, terá direito a veto na escolha de diretores e planos de investimentos.

A presidência da Braskem, atualmente a cargo de Bernardo Gradin, deverá permanecer inalterada, ao contrário do conselho de administração, que deverá refletir a maior relevância da Petrobras na companhia.

Monopólio

Com a aquisição da Quattor pela Braskem, a Petrobras passa a dominar o setor petroquímico, sendo que já detém o monopólio da nafta – matéria-prima do setor. Apesar de minoritária, a presença da estatal também reforça o papel da política econômica do governo federal que pretende fortalecer as exportações brasileiras, a partir do aumento da competitividade e da criação de gigantes brasileiras. Com a operação, a Nova Braskem passa a ser a 11ª empresa do setor no mundo, com um faturamento de R$ 30,4 bilhões, capacidade anual de produção de 15,6 milhões de toneladas de produtos petroquímicos e químicos intermediários.

Otávio Carvalho, diretor da consultoria MaxiQuim, ressalta que o modelo de consolidação setorial tem grande influência da política econômica do governo federal. “O governo quer criar uma Vale em cada setor para aumentar a competitividade brasileira no mercado internacional”, diz . “Assim foi com o setor de alimentos, com a BR Foods, e vai ser com o setor petroquímico.”

Nesse sentido, Merheg Cachum, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) e do Sindicato da Indústria do Plástico (Sindiplast), ressalta o papel da Petrobras na fusão. “Esse processo resulta numa grande companhia, na qual a Petrobras passa a ter substantiva participação acionária”, diz .

“A estatal, aumenta ainda mais seu poder de decisão na cadeia produtiva. Resta saber como utilizará todo esse cacife”, ressalta.

Cachum ressalta que a Petrobras já detém o processamento da nafta, matéria-prima para a petroquímica de segunda geração. “O domínio sobre esse insumo, somado ao controle também da produção de resinas termoplásticas, significa gigantesca capacidade de influência”, afirma. “O aproveitamento dessa força para se estabelecer uma política distorcida de preços, conspiraria contra a competitividade de toda a cadeia produtiva”, alerta o presidente da Abiplast.

Fonte: Laelya Longo – DCI

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