08/01/2010 10:38
A indústria automotiva brasileira terá um grande desafio nos próximos meses: o de garantir suas metas em cima dos resultados obtidos em 2009. Nesse período, o setor cresceu 11,4% na comercialização de veículos, ultrapassando a casa das 3,1 milhões de unidades, recorde do segmento. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a projeção é que esse número suba para 3,4 milhões de carros em 2010, impulsionado pela maior oferta de crédito, o incremento do consumo e o aumento de renda.
Por outro lado, os fabricantes terão de enfrentar um cenário econômico onde os importados poderão ser favorecidos pelo dólar no patamar de R$ 1,70, enquanto as exportações ainda sofrem os impactos da turbulência econômica. Para se ter um ideia, as importações avançaram 30,3% até dezembro passado, na comparação com o ano anterior e as exportações dos autoveículos montados recuaram cerca de 35% no mesmo período.
Para Jackson Schneider, presidente da Anfavea, as perspectivas são positivas e as empresas estão preparadas para enfrentar a disputa pelo mercado brasileiro. “Nos últimos meses foram anunciados grandes investimentos no setor”, disse ao ressaltar que os aportes serão aplicados no aumento da capacidade produtiva, na renovação dos produtos e desenvolvimento da engenharia, reforçando a competitividade dos carros nacionais.
Schneider crê que as condições econômicas continuarão favoráveis à venda de carros em 2010, seguindo a tendência do que foi o “melhor ano da história” nesta indústria. “Vemos um cenário de aumento na massa salarial e boas condições de crédito que favorecem o consumo”, colocou. O executivo disse que o setor trabalha com a perspectiva de que a isenção do IPI para os carros flex (bicombustíveis) termine em março e afirmou que não existem conversas com o governo para a estender o benefício.
Ao falar do desempenho das exportações, o presidente da Anfavea pondera que o maior desafio é a busca de um maior equilíbrio com as importações à medida que os mercados compradores voltem a se recuperar e o País trabalhe para retomar o market share que tinha antes da crise.
Para a Anfavea, é necessário que se fortaleça a produção nacional para enfrentar a competição com os estrangeiros, uma vez que nosso País, junto com a China é um dos mercados mais atrativos hoje. A perspectiva é que a participação de 15,6% dos importados vista em 2009 (salto de 30% em relação à 2008), não ultrapasse de 16% em 2010.
Apesar dos desafios, a indústria automotiva comemora seus atuais recordes, como a venda de veículos novos que subiu 50,7% em dezembro deste ano, na comparação com o mesmo mês de 2008, época do auge da crise. Se observado, o desempenho do último mês de 2009 em relação à novembro, o mesmo índice cresceu 16,4%, conforme os dados divulgados pela Anfavea ontem.
Fonte: DCI
