12/01/2011 15:47
Após o crescimento atípico registrado em praticamente todos os setores da economia em 2010, favorecidos pelas medidas do governo voltadas à geração de emprego, aumento da renda e estímulo do consumo com o crédito facilitado, chegou a hora de os economistas traçarem perspectivas para este ano. Embora a expectativa seja de continuidade ao crescimento econômico, a expansão deve se dar de maneira mais modesta do que no ano passado.
Dentre os ajustes a serem realizados para que o crescimento seja contido, já que o País não tem capacidade instalada nas indústrias para continuar alimentando essa expansão da demanda desenfreada, estão o aumento da taxa de juros para segurar a inflação, a redução na oferta de empréstimos e o aumento na taxa de câmbio para conter a enxurrada de itens importados, como foi visto no ano passado, e, assim, favorecer as exportações.
De acordo com as projeções do Suplemento Especial – Perspectivas Econômicas 2011, veiculado na Revista Digital Nova Página Socioeconômica (www.santoandre.sp.org.br), elaborada pelo Dise (Departamento de Indicadores Econômicos) da Prefeitura de Santo André, as vendas ao Exterior devem crescer 15,8% em todo o País em relação a 2010. Quanto às exportações do Grande ABC, a alta deverá ser maior ainda: 24,9% a mais do que no ano passado.
“Este será o ano da recuperação da economia mundial, em que os países europeus e os Estados Unidos devem retomar suas atividades, o que inclui voltar a comprar produtos nossos. Aliado a isso, estimamos que o dólar atinja R$ 1,80 (hoje está R$ 1,69), dessa forma melhorando os nossos preços no Exterior”, aponta Dalmir Ribeiro, diretor do Dise.
O ideal, segundo Ribeiro, era que o dólar ficasse em R$ 2. “A taxa de câmbio ruim faz com que percamos mercados internacionais. Pelo menos com o real mais valorizado, devemos aumentar as vendas de itens da cadeia automobilística, da indústria química e de pneumáticos. A indústria do Grande ABC tem capacidade de produção de alto valor agregado.”
A retomada de um dos únicos indicadores econômicos que tiveram fraco desempenho em 2010 traz também a criação de empregos. Embora neste ano a previsão seja de saldo de 27 mil postos de trabalho na região – exatamente a metade dos 54,4 mil do ano passado -, a taxa de desemprego, que encerrou o ano com 9,3% da PEA (População Economicamente Ativa), deverá diminuir para 8,5% em 2011. “Isso acontecerá graças à quantidade de pessoas que foram empregadas em 2010. Foi o maior saldo registrado na história.”
A renda média do trabalhador também colhe os frutos dos acordos coletivos do ano passado. De R$ 1.939 deve subir para R$ 1.989, sendo os 2,6% a mais de aumento real, conta Ribeiro, ou seja, além da correção da inflação, que no ano passado ficou em 5,3% na região e, neste ano, deve recuar para 4,5%, por conta das medidas políticas.
Fonte: Diário do Grande ABC
