Quattor é vendida por R$ 700 milhões

22/01/2010

A família Geyer, que controla a petroquímica Quattor por intermédio da holding Unipar, confirmou que receberá R$ 700 milhões pela venda à Braskem de sua participação na empresa produtora de resinas.

Em comunicado enviado ao mercado, a Unipar informou que serão descontados R$ 170 milhões da transação estimada em R$ 870 milhões. Isso porque a Unipar possui uma dívida com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) quando foi formada a Quattor, em 2008.

A Braskem vai adquirir 60% da Quattor. Os demais 40% que pertencem à Petrobras. Essas participações serão concentradas na nova Braskem, como vem sendo chamada a superpetroquímica brasileira, que será controlada pelo Odebrecht e Petrobras.

A nova empresa, que unirá todos os ativos de produção nacional de resinas de polietileno e polipropileno, os mais usados como matérias-primas para a transformação de produtos plásticos, controlará 28 fábricas espalhadas em todos os quatro polos petroquímicos. O faturamento da nova empresa será da ordem de R$ 25 bilhões.

A Braskem terá acesso a novas fontes de matérias-primas como o gás natural, além de ampliar seu acesso a fontes alternativas, como gás de refinaria.

Estratégia

A compra da Quattor deve garantir o monopólio da Braskem na produção doméstica de resinas, que é responsável pelo fornecimento de mais de 75% do mercado brasileiro. Apesar desta supremacia, a companhia não deve enfrentar dificuldades de medidas antitruste porque o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) entende como global, e não regional, o jogo no mercado petroquímico.

A nova empresa, com maior escala para produzir uma matéria-prima cada vez mais comum, está sendo criada num momento em que as tradicionais petroquímicas dos Estados Unidos e da Europa vivem grande aperto não só pela recessão que derrubou o consumo de inúmeros produtos plásticos como também o surgimento de novas empresas de países do Oriente Médio, que decidiram agregar mais valor a produção de petróleo e gás natural.

Nos planos futuros, a Braskem pretende adquirir uma empresa nos Estados Unidos além de participar da segunda fase do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), que inicialmente apenas fará o refino de óleo pesado da bacia de Campos. A petroquímica só participará do desenvolvimento de produção de resinas, o que acontecerá mais adiante.

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