Nova ameaça a montadoras no País

29/10/2009 10:14

O aumento da capacidade ociosa da indústria automobilística em todo o mundo está trazendo preocupação para as montadoras instaladas hoje no Brasil. Estima-se que a ociosidade das fabricantes chegue ao equivalente a 21 milhões de veículos, o que significa sete vezes o tamanho do mercado interno brasileiro em 2009, segundo projeção da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

De acordo com as montadoras o cenário implicará em dois problemas ao Brasil. Um deles é se o País conseguirá voltar aos níveis de exportação que mantinha antes da eclosão da crise, mesmo com a volta de seus principais mercados, devido ao aumento da competição mundial. A segunda é como ficará a competitividade das montadoras dentro do próprio mercado interno brasileiro.

Com a crise, o mercado interno sustentou as vendas das produtoras e permitiu que elas batessem recordes sobre 2008. Mas olhando para as exportações a situação não melhorou. No acumulado até setembro, as vendas para o mercado externo de veículos automotores caíram 43,3% na comparação com o mesmo período de 2008. Analisando apenas o desempenho dos caminhões o panorama é mais grave: a queda foi de 73,4%. “Talvez em curto prazo o mercado interno seja suficiente, mas quando fecharmos o ano como o quinto maior mercado interno do mundo, isso será muito atrativo para outras empresas”, afirmou o presidente da Anfavea, Jackson Schneider.

O executivo salienta que novos players estarão presentes nos principais mercados de exportação do Brasil. “Quando esses mercados retornarem, talvez não estaremos neles com a mesma força”, afirmou.

A mesma opinião é compartilhada pelo diretor de Assuntos Corporativos da Ford para a América Latina, Rogelio Golfarb. “Acho que não seria adequado pensar apenas que um determinado câmbio alavancará as exportações de manufaturados. O futuro depende da agenda para exportações para enfrentar a ameaça importadora que será altamente competitiva no mercado doméstico”, afirmou Golfarb. O executivo enfatizou, ainda, que quem não é competitivo para exportar, dificilmente conseguirá defender seu mercado. O executivo salienta que a discussão do setor não deve ser apenas em quanto o mercado deverá crescer nos próximos anos, mas em como a indústria melhorará sua competitividade.

Segundo Golfarb, o país deverá parar para pensar sobre a carga tributária. “Não faz sentido pagar imposto em itens de segurança, como air bag, por exemplo. Desonerar itens de segurança e meio ambiente, além de melhorar a equação de custos das montadoras, traz menos impacto aos cofres públicos que a isenção do IPI, por exemplo”, disse o diretor. “É necessário um aumento de escala para sermos competitivos. Nós temos uma deficiência competitiva clara”, ressaltou Golfarb.

Já para o diretor Comercial da Fiat, Lélio Ramos, a indústria automobilística brasileira deve ter uma produção anual mínima de cinco milhões de unidades para alcançar produtividade e competitividade. Em 2009, a indústria automobilística brasileira deverá fechar o ano com produção de 3,05 milhões de unidades (queda de 5,2 na comparação com 2008, exatamente por conta da queda das exportações).

“Em 2010, o ano será ainda difícil para as exportações. Haverá mais importações e menos exportação”, afirmou Ramos. “Vamos ter um saldo negativo”, conclui o executivo da Fiat. Segundo o diretor comercial, o Brasil será nos próximos anos, “um meio para escoar produção”.

Mudanças

Segundo o analista do setor automotivo da Tendências Consultoria, Alexandre Andrade, o crescimento do mercado brasileiro trará a presença interna de montadoras que antes só importavam ao País, caso da Hyundai. “Alguns fabricantes chineses também estão interessados”, disse. De acordo com ele, as montadoras deverão reagir com o lançamento de novos modelos. “O mercado tende a ser cada vez mais segmentado”, afirmou.

Fonte: DCI

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