Agência GABC participa de Seminário Internacional sobre empresas recuperadas

06/10/2016


A Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC acompanhará, nesta sexta-feira, dia 7, o “Seminário Internacional: experiências de fábricas recuperadas por trabalhadores (as) na Argentina, Brasil, Espanha e Itália”. O evento, que acontecerá a partir das 8h30, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, faz parte do Projeto de Formação Karmann Ghia.

Participam do evento Wagner Santana (Sindicato dos Metalúrgicos do ABC), Leonardo Pinho (UNISOL Brasil), Sandra Pareschi (Nexus), João Luís Trofino (UNIFORJA – Brasil), Hugo Cabrera (FEDECABA/CNCT – Argentina), Ibrahim Elias (Mondragón Corporação Cooperativa – Espanha) Carlo Occhiali (Raviplast – Itália), Marco Distefano (Cooperativa Fonderie Zen – Itália).

A atividade é realizada pela Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários do Brasil (UNISOL), pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e pela Nexus (Itália).

A empresa Karmann-Ghia foi ocupada por trabalhadores em 13 de maio deste ano, após o abandono da fábrica pela direção da empresa. Na época, um parecer da Justiça favorável a antigos proprietários gerou um impasse em relação à propriedade da fábrica, e os metalúrgicos, que já estavam sem receber salários e benefícios desde dezembro de 2015, perderam as condições de continuar operando a fábrica, em razão do corte no fornecimento de energia por falta de pagamentos e ausência de condições básicas de trabalho. A ocupação tinha como objetivo garantir a preservação do maquinário da empresa, bens que poderão assegurar o recebimento dos direitos devidos aos metalúrgicos.

No final de junho, após aprovação dos empregados, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC entrou com pedido de falência da empresa, considerado pela entidade a melhor alternativa para viabilizar o recebimento dos direitos trabalhistas, ainda que mais futuramente. Tomada essa decisão, o Sindicato decidiu iniciar um processo de formação e treinamento para o grupo de cerca de 200 metalúrgicos que mantém a fábrica ocupada, voltado para a discussão do futuro desses trabalhadores, incluindo a avaliação de alternativas que poderiam dar continuidade às operações da fábrica, como autogestão ou cooperativa.

As primeiras experiências de Empresas Recuperadas por Trabalhadores (ERTs) no Brasil, segundo levantamento do IPEA, ocorreram na década de 1980, mas foi mesmo nos anos 1990 que se observou um crescimento dessa movimentação, em especial diante do quadro de crise econômica da época. Como reação e resistência ao fechamento de empresas e à perda de postos de trabalho, houve uma ampliação do número de experiências de ERTs.

De uma dessas experiências surgiu, por exemplo, a maior fabricante de anéis, flanges e conexões de aço forjado de toda a América Latina – a Cooperativa Central de Produção Industrial de Trabalhadores em Metalurgia (UNIFORJA), criada em meados de 2000 em Diadema, que inclusive já esteve com os trabalhadores na fábrica da Karmann Ghia.

(Com informações da Unisol Brasil)

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