Seminário destaca transbordamentos sociais da indústria de defesa e oportunidades de upgrade tecnológico na região

15/10/2015

Durante evento realizado pela Metodista, com apoio da Agência GABC, especialistas apresentaram cases relacionados ao Gripen no mundo e participação do conteúdo nacional nesta cadeia produtiva

Na manhã desta quinta-feira, dia 21, as possibilidades de upgrade tecnológico no parque industrial do Grande ABC e da geração de valor social resultantes de investimentos no setor de defesa foram destaque do seminário “Indústria aeroespacial, desenvolvimento regional e oportunidades de negócios: cases internacionais da cadeia produtiva do Gripen”. O evento, realizado pela Universidade Metodista, com apoio da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, contou com a participação de autoridades, acadêmicos e especialistas do setor.

A aquisição de 36 caças Gripen NG (New Generation) pela Força Aérea Brasileira com a sueca Saab, com investimentos previstos de cerca de U$ 5 bilhões, e as possibilidades de empresas e universidades do Grande ABC participarem desta cadeia produtiva, foram ponto central do seminário. Do total de caças adquiridos, 15 serão produzidos no Brasil.

A palestrante Ana Teresa de Lima, economista especializada em finanças estruturadas e reengenharia de processos, da LAB Consultoria, apresentou informações sobre os reflexos sociais dos investimentos na indústria de defesa e como a região deve se preparar para as novas oportunidades de negócios. “Quando se compra uma aeronave, especialmente da forma como o Governo Federal fez com a Saab, também é comprada uma nuvem de tecnologia associada”, observou Ana, referindo-se ao contrato de transferência tecnológica da empresa sueca com o Governo Federal brasileiro.

Todo o investimento em defesa pode significar o dobro ou até o quádruplo em transbordamentos tecnológicos. Para absorver este upgrade tecnológico, as empresas precisam estar preparadas. De acordo com a especialista, o Poder Público tem papel estratégico neste contexto. “Os gestores públicos são praticamente mentores. Esse papel começa no processo de seleção de quem serão os fornecedores até o final do ciclo, que é o monitoramento de competências que estão sendo formadas, investimentos necessários e como o país está se posicionando no mercado global”, explicou.

Os dados apresentados por Ana fazem parte da primeira etapa do estudo que a Agência GABC está liderando para identificar o potencial competitivo da região para a cadeia de defesa. Nesta fase a entidade regional contou com apoio do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

O diretor do Departamento da Indústria de Defesa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (COMDEFESA), Dr. Jairo Cândido, apresentou a participação brasileira nesse setor produtivo. “No Brasil, o segmento aeronáutico de defesa tem significativa experiência acumulada em lidar com aspectos relacionados ao conteúdo nacional”. Como exemplo, Cândido relembrou que há 40 anos o país teve produção seriada de aeronaves a partir de kits de montagem, os chamados CKDs. Atualmente, observou o especialista, a indústria nacional tem domínio e capacidade para desenvolver modernos aviões de combate, bem como capacidade independente para as evoluções futuras, a exemplo do Gripen NG.

Presente no evento, o prefeito de São Bernardo do Campo e vice-presidente do Consórcio Intermunicipal Grande ABC, Luiz Marinho, falou sobre a importância da participação de toda a sociedade em debates sobre as novas oportunidades de negócios para a região. “Precisamos envolver as pessoas e as empresas nos processos de tomada de decisão, olhando para o futuro. Nós gestores precisamos proporcionar que nossas cidades estejam preparadas e planejar investimentos. Temos que abrir espaço para outros tipos de produção e preservar condições para os novos momentos que virão”, afirmou.

Até o momento, o diagnóstico pioneiro realizado no ABC Paulista pela Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC identificou 28 empresas que já fornecem para a indústria da defesa e outros 199 empreendimentos que poderão embarcar nas oportunidades dessa cadeia produtiva. Em uma nova etapa do estudo, a ser realizada, informações sobre a gestão administrativa e financeira, bem como sobre a cultura de cada uma das empresas consideradas potenciais fornecedoras, serão cruzadas.

“A partir da análise minuciosa dos dados serão elaborados documentos norteadores que apontarão quais são os requisitos que determinada empresa precisa cumprir para fazer negócios dentro da cadeia produtiva de defesa. Apenas o fato de empresários melhorarem sua gestão interna para conseguirem as certificações exigidas por grandes players do mercado já significará um salto de qualidade e de desenvolvimento para nosso parque industrial e para o setor de serviços, que também poderá ser contemplado”, explicou o secretário executivo da Agência GABC, Giovanni Rocco, que representou o presidente da entidade e prefeito de Mauá, Donisete Braga, durante o evento.

Novo curso gratuito:

O seminário Indústria Aeroespacial, Desenvolvimento Regional e Oportunidades de Negócio foi promovido pela Universidade Metodista e Agência de Desenvolvimento Econômico do ABC com apoio do CISB (Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro), AIAB (Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil), Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP – São Bernardo do Campo), Grupo INBRA e Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São Bernardo.

Na abertura do evento, o reitor da Metodista, Márcio Moraes, saudou o Dia do Professor e a importância da academia para formar mão-de-obra qualificada, gerar pesquisa e desenvolvimento. Atenta ao potencial produtivo que o Gripen vai possibilitar, a Metodista prepara cursos de especialização na área, com ênfase em gestão e logística. Na próxima semana dará início a um curso gratuito de três encontros sobre “Oportunidades de Negócios na Indústria Aeroespacial”. As aulas acontecem no campus Rudge Ramos das 19h às 22h dias 20, 22 e 27 de outubro. Inscrições pelo [email protected].

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