ABC quer compromisso regional da Braskem

25/02/2011 15:07

A apreciação favorável do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) divulgada nesta semana sobre a compra da Quattor pela petroquímica Braskem, fechada em janeiro de 2010, foi comemorada na região. Apesar das projeções otimistas, o desafio é estabelecer acordos concretos para garantir a permanência da empresa no Polo Petroquímico local.

A preocupação, segundo o Sindicato dos Químicos do ABC, é com oportunidades futuras de outros ‘oásis’ industriais que possam promover a migração da Braskem. “Nós queremos, através da Agência Desenvolvimento Econômico do Grande ABC e do Consórcio Intermunicipal, reabrir o debate da duplicação da empresa. Nós queremos ouvir da Braskem o que ela pensa sobre o futuro da planta Capuava (Mauá)”, disse o presidente do sindicato Paulo Lage, eleito à vice-presidência da Agência de Desenvolvimento, referindo-se à disposição de elevar o nível de produção, geração de emprego e qualificação da mão de obra.

Mauá

Na visão da Aciam (Associação Comercial e Empresarial de Mauá), o comprometimento regional já está em andamento. “Temos alguns projetos em comum. Um deles é o Polo Tecnológico”, disse o diretor administrativo, Luiz Augusto Gonçalves. A ideia é implantar em Mauá um braço do Polo regional. O objetivo, segundo o diretor, é utilizar o terreno de 100 mil m² – localizado na avenida Alberto Soares Sampaio – para sediar, com participação da Braskem, um centro de pesquisa no setor petroquímico e plástico com foco na discussão sobre lixo e reciclagem.

Segundo o vice-presidente de Relações Institucionais da Braskem, Marcelo Lyra, o comprometimento com ações concretas está na pauta da Braskem não só na planta do ABC. “Isso está nos planos na esfera global. Nosso foco é fortalecer a cadeia produtiva com investimento em tecnologia e ampliação da estrutura. É um caminho natural”, disse o executivo.

Em entrevista ao Repórter Diário, no final do ano passado, o vice-presidente da Unidade de Químicos Básicos da Quattor, Celso Ferreira, já havia reforçado o interesse da Braskem na região. Segundo o executivo, apesar de contar com 26 plantas, em cinco Estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia e Alagoas), o espaço na região é considerado chave pela logística, matéria-prima e proximidade com o mercado consumidor. Segundo Ferreira, foram investidos, em 2010, R$ 250 milhões na planta de Santo André/Mauá. Para este ano, o investimento do mesmo montante será refeito.

CADE faz restrições à aquisição

O CADE impôs algumas restrições ao negócio ao externar a aprovação na última quarta-feira (23). Segundo o relator do caso, Vinícius Carvalho, a Braskem terá de assinar um TDC (Termo de Compromisso de Desempenho) para monitorar, entre outros pontos, todos os contratos de importação da petroquímica.

Pelo TCD, a empresa se compromete com alguns itens importantes. O principal deles, e que pode gerar multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento, é o de que qualquer compra de resinas no exterior feita pela companhia com contrato de exclusividade deverá ser apresentada ao CADE.

A preocupação do conselho é que, com os contratos de exclusividade, a companhia acabe impedindo que seus clientes busquem alternativas no mercado externo, por meio da importação de outras empresas. Se forem identificados problemas, a operação poderá até ser reavaliada pelo Conselho.

Resinas

O segundo item acertado foi o da apresentação de relatório semestral pela empresa de todas as importações de resinas. No documento, precisará haver especificações como preço, origem, quantidade e se a compra foi realizada para revenda. A Braskem também se comprometeu a enviar, a cada seis meses, ao órgão todos os contratos de importação de resinas.

Por fim, deverá chegar ao CADE a cada semestre uma lista com todos os contratos feitos pela Braskem no exterior. Esse monitoramento será importante para o órgão identificar, por exemplo, se a empresa deixou de importar um produto do Brasil porque passou a operar em determinado país e, ao se tornar cliente de um grupo local, poderia ter condicionado sua compra ao fim das vendas diretas ao Brasil.

Fonte: Repórter Diário

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