04/05/2010 12:06
![]()
Depois de conquistarem metade do mercado automotivo da China -o maior país em número de vendas de veículos no mundo-, as montadoras chinesas querem agora ganhar o mundo. Focadas nos países emergentes, as companhias traçam estratégias para ganhar participação mundial e tornar suas marcas globais.
Enquanto tentam adequar seus carros aos padrões de exigência da Europa e dos EUA (em segurança e emissões), os chineses elevam suas exportações para países do Oriente Médio, da África e da América Latina. “Queremos vender para todos, mas ainda não podemos vender para Europa e EUA”, diz Steven Wang, diretor de marketing da Great Wall.
“Quem ganha o mercado doméstico é um vencedor, mas quem ganha o mercado internacional é um herói”, diz Alec Wu, gerente de vendas da Lifan, que chega ao país em junho. A montadora exportou 10 mil veículos em 2009, e a previsão neste ano é de 25 mil.
Muitas montadoras chinesas já têm fábricas fora do país, a maioria no modelo chamado de CKD (“Completely Knock-Down”), o que significa que todas as peças são exportadas e os carros são montados no exterior. O objetivo é reduzir custos de exportação e tornar o consumidor desses mercados mais familiarizado com as marcas.
A Great Wall, maior exportadora chinesa e que trará seus carros para o Brasil a partir de outubro, pela CN Auto, tem unidades na Rússia, no Irã, no Vietnã, no Egito, na Venezuela e na Nigéria e planos de ampliar a estrutura para o Brasil.
O Brilliance Group, que já traz ao Brasil as minivans Topic e pretende chegar ao país com a marca de carros de passeio Brilliance em dois anos, tem três fábricas fora da China, responsáveis pela produção de 15 mil veículos por ano.
Até 2011, serão sete chinesas no mercado brasileiro: Great Wall, Chery, Jinbei, Hafei, JAC, Chana e Lifan.
A China ultrapassou os EUA como maior mercado automotivo do mundo em 2009, com a venda de 13,7 milhões de veículos. O crescimento tão acelerado é surpreendente, considerando que há 15 anos quase não havia carros privados no país. E ainda há muito espaço para crescer. De acordo com números das montadoras, o país tem hoje 38 carros a cada mil habitantes, número bem abaixo de mercados como Brasil (200 por mil) e EUA (800 por mil).
As companhias estrangeiras querem explorar o potencial do mercado chinês. A Volkswagen, por exemplo, anunciou nesta semana a ampliação de seus investimentos no país para US$ 8 bilhões. O país já é o principal mercado para a Volks no mundo, com vendas de 1,4 milhão de veículos no ano passado, ante 1,24 milhão da Alemanha.
Fonte: Folha de São Paulo
