Inovar é questão de sobrevivência

25/05/2010 10:52

A Era da Informática está com seus dias contados, até porque a tecnologia hoje deixou de ser diferencial para tornar-se necessidade básica da vida das empresas e das pessoas. Inicia-se a Era da Inovação, em que o ‘algo mais’ e o poder da diferenciação são cada vez mais difíceis de se identificar em meio ao tsunami de informações e oportunidades geradas pelas mais diferentes formas de negócios.

Se, por um lado, as oportunidades deixaram de se apresentar de maneira óbvia, por outro lado, a dificuldade e o distanciamento das idéias da real concretização ficam cada vez mais distantes das deturpadas relações do passado, em que poder, dinheiro e influência eram necessários na disputa pelas melhores oportunidades. As chances antes visíveis nos negócios da velha economia perdem espaço e status para as oportunidades mutantes e ocultas nos negócios da nova geração.

O poder de percepção e reação dos novos empreendedores tem uma dinâmica incessante e a capacidade desses novos empresários de processar ideias, fatos e oportunidades, deve ser infinitamente maior que a de nossos não tão longínquos antepassados.

Segundo o professor Romeo Deon Busarello, do Insper, a informação ao longo do tempo sofreu uma enorme mudança de paradigma; de 1900 a 1945 a coisas mudavam a cada 45 anos, de 1980 a 1990 estima-se que as coisas se alteravam a cada 10 anos, e, em 2006, a informação e os acontecimentos deixam de ter relevância a cada 2 anos. Novas ideias e grandes insights correm o risco de envelhecer rapidamente se não forem imediatamente colocados em prática. Grandes sucessos de hoje podem não fazer mais parte do amanhã. Alguém lembra da Olivetti, do diga ‘x’ para uma Polaroid, ou dê de presente ao seu filho um Atari?

Inovar é buscar algo a mais para o consumidor, participação ativa como em um console Wii, interação na exibição de um filme em 3D, praticidade e opção em um pay per view e comodidade e conforto através do comércio eletrônico em geral.

As possibilidades são infinitas e cabem em qualquer lugar: do telefone celular hoje é possível comprar de uma flor a um apartamento, basta um clique.

Muitas dessas engenhocas tecnológicas surgem da força da iniciativa privada em se reinventar, mas muito ainda se deve às incubadoras e às políticas de incentivo à inovação. Por isso o Brasil deve caminhar a passos largos em direção à inovação: hoje o País investe apenas 1% do PIB, segundo o estudo “Políticas de incentivo à inovação tecnológica no Brasil”, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a meta para 2010 é de ampliar esse investimento através de leis de incentivo para cerca de 1,5% do PIB. Um aumento significativo, mas longe ainda de nações inovadoras como Alemanha, Japão e Estados Unidos, que destinam algo em torno de 2,4% do PIB em investimentos voltados à inovação.

Arrojo, determinação e obstinação são alguns dos adjetivos dessa nova safra de empreendedores inspirados em Steve Jobs, Steve Wozniak, Larry Page e Sergey Brin, respectivamente os fundadores da Apple e do Google, que no início, munidos com um punhado de dólares, muita inspiração e empresas -literalmente- de garagem, construíram impérios corporativos da nova geração, em pouco mais de 15 anos.

O princípio da inovação é uma via de mão dupla e não trafega apenas no ramo da informação e da tecnologia. Inovar pode ser, por exemplo, pensar novo usando o velho; nesse quesito, o caso mais emblemático dos últimos anos é a reviravolta das velhas e quase esquecidas sandálias Havaianas, que, de “roupa nova”, passaram em pouco tempo a ser a nova coqueluche mundial.

Inovar não significa exclusivamente investir em tecnologia e informação. Inovar é desconstruir, emancipar preconceitos, transformar o óbvio em obsoleto e enxergar as oportunidades sob uma nova ótica. Inovar é estar isento para pensar nas oportunidades, independentemente da classe social, do credo, da etnia ou da formação profissional e escolar de cada um e do mercado. É buscar novas chances onde ninguém ousa encontrar.

Fonte: Sérgio Nardi – DCI

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