Grande ABC se une em torno do Polo Tecnológico

23/10/2003 10:47

Na terça e na quarta-feira (dias 20 e 21 de outubro), o Grande ABC mobilizou-se para debater no Senac Santo André o Polo Tecnológico do Grande ABC. Reuniram-se representantes dos municípios, do Governo do Estado de São Paulo, das principais universidades e instituições de ensino técnico da região e dos empresários com o objetivo de analisar o estágio atual de evolução do empreendimento regional, analisando pontos positivos e negativos para traçar estratégias de implementação do projeto.

Compuseram a mesa de abertura a Coordenadora de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Desenvolvimento do Governo do Estado de São Paulo, Margareth Leal; o Presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC e Prefeito de Rio Grande da Serra, Adler Alfredo Jardim Teixeira; o Vice-presidente do Consórcio Intermunicipal Grande ABC e Prefeito de Diadema, Mário Reali; o Vice-Prefeito de São Caetano do Sul, Walter Figueira Júnior; a Secretária de Planejamento Urbano e Ação Regional de São Bernardo do Campo, Nadia Somekh; o Secretário de Desenvolvimento Econômico de Mauá, Edílson de Paula; Marcos Maia, representando a Prefeitura de Santo André; e Ednaldo Paulo Reis, representando a Prefeitura de Rio Grande da Serra.

Margareth Leal abriu o evento citando que o objetivo principal do governo estadual em criar um Sistema Paulista de Parques Tecnológicos (SPTec) – estabelecido pela Lei Complementar nº 1049, de 19 de junho de 2008 e regulamentado pelo Decreto nº 54.196, de 2 de abril de 2009 – é transformar todo o conhecimento em riqueza (confira aqui a apresentação). Na sequência, Walter Figueira falou da importância do evento para que o Grande ABC encontre o melhor caminho na condução do projeto.

O Presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, Kiko, reafirmou que o Grande ABC já possui em sua composição acionária os atores envolvidos: Prefeituras, Universidades, Sindicatos e o Polo Petroquímico de Capuava. O Vice-presidente do Consórcio, Mario Reali, complementou lembrando que o Polo do ABC já começa inovador, na medida em que atuará descentralizadamente. Para concluir o Painel I, o Diretor-Executivo do Consórcio, Fausto Cestari Filho, deu um breve histórico de como a Região tem evoluído até o momento para implantar o Polo, por meio do Grupo de Trabalho Polo Tecnológico que tem se reunido na instituição (confira aqui a apresentação).

Referências para o Polo do ABC

A partir desse histórico, foi iniciado o Painel I, sob coordenação de Nadia
Somekh e integrado por Margareth Leal; Guilherme Ary Plonski, Presidente da ANPROTEC; Mario Salerno, da Escola Politécnica da USP (confira aqui a apresentação); e , da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.

Essa mesa expôs os diversos marcos institucionais e legais que podem nortear o Polo Tecnológico do Grande ABC: o SPTec, a Lei da Inovação (2004), a Lei do Bem (2006) e os Incentivos Fiscais previstos pela Secretaria da Fazenda do Estado a empresas que se instalarem em Parques Tecnológicos (confira aqui a apresentação). Além disso, foi apresentado por Ary Plonski um histórico de experiências de parques tecnológicos no Brasil e no mundo (confira aqui a apresentação).

Dialogando com esse contexto já existente, no Painel II, coordenado por Paulo Íris Ferreira, da Agência de Desenvolvimento Econômico, foram expostas experiências de sucesso em andamento e o Sistema Sebraetec, do Sebrae Nacional, de apoio a iniciativas desse tipo. Participaram o Coordenador do Parque Tecnológico do Rio de Janeiro, Alfredo Laufer; o coordenador do Sapiens Park de Florianópolis, Leandro Carioni (confira aqui a apresentação) ; e o Gerente de Atendimento e Fomento do Sebrae-SP, Marcelo Dini (confira aqui a apresentação).

Alfredo Laufer, coordenador do Parque Tecnológico do Rio, ao comentar sua experiência, enfatizou a necessidade de o Grande ABC começar seu empreendimento com infraestrutura adequada, tecnologia de ponta e ambiente de negócio, inclusive com presença de empresas âncoras, pois a micro e pequena empresa inova apenas com a possibilidade de negócio junto a outras maiores. “O ambiente de negócio é fundamental e ele ocorre somente com a presença de grandes empresas maduras”, declarou Laufer (confira aqui a apresentação).

Visão dos Municípios

Ao final do primeiro dia, foi realizado o Painel III, que reuniu os sete Secretários de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC: Luís Paulo Bresciani, de Diadema (confira aqui a apresentação) ; Edílson de Paula, de Mauá; Marcelo Menato, de Ribeirão Pires; Gilvan Mendonça, de Rio Grande da Serra; Vanderlei Retondo, de Santo André; Ronaldo Tadeu, secretário-adjunto de São Bernardo do Campo, representando Jefferson José da Conceição; e Celso Amancio, de São Caetano do Sul.

Todas as cidades, nas palavras dos secretários, estão dispostas a prosseguir no processo de construção do Polo Tecnológico, de maneira sinérgica. “Estamos todos trabalhando juntos, de mãos dadas”, resumiu Celso Amancio.

Fausto Cestari Filho, que coordenou a mesa, provocou os secretários aos questioná-los de quais serão os próximos passos para a formação efetiva do polo. “Vamos contratar uma estrutura? Vamos profissionalizar uma instituição?”. Segundo Cestari, os governos municipais terão de tomar as rédeas do Polo Tecnológico para que os demais agentes também se envolvam. “O poder público é aquele que vem induzir. Se ele não mostrar dedicação e competência, empresários e instituições de ensino não vão se motivar”. Depois disso, segundo Cestari, empresas e instituições de ensino vão dar a perenidade que o Polo demanda, independente de mudança de governos.

Conhecimento: base do Polo Tecnológico

No dia 21 pela manhã, a participação das universidades e dos centros de ensino técnico foi o assunto do Painel IV do evento. Estiveram presentes Rodrigo Cutri, da Fundação Santo André; Valdecir Leonardo, do Instituto Mauá de Tecnologia; Sidney Jard, da Universidade Federal do ABC; Marcio Rillo, reitor da Fundação Educacional Inaciana – FEI; José Turíbio de Oliveira, da Universidade São Caetano do Sul; Jorge José Nunes, do SENAI; e Alexandre Hashimoto, do Centro Paula Souza, entidade mantenedora das ETECs e FATECs (confira aqui a apresentação). Essa mesa foi coordenada pelo Diretor do Parque Tecnológico de São Carlos, José Raimundo Braga Coelho.

Primeiramente, a mesa assistiu a uma apresentação de Fabiano Armelini da fundação Santo André, sobre a importância dos Núcleos de Inovação Tecnológica (NIT) das universidades e da interação deles com o setor produtivo para o sucesso de um parque tecnológico. Armelini mostrou a realidade atual do Brasil quanto à inserção de pesquisadores no mercado de trabalho junto a empresas, comparando com outros países, e explicou a importância que os NITs possuem nesse processo de aproximação. No País, a maioria dos acadêmicos, cerca de 80%, permanece na universidade, o que não ocorre ao redor do mundo, segundo Armelini .Segundo dados coletados pelo Prof. Brito Cruz, da Unicamp, nos Estados Unidos e no Japão, por exemplo, apenas 20% deles continuam nas instituições de ensino e 70% vão para a indústria. Na França, Alemanha e Inglaterra, mais de 60% dos acadêmicos estão nas empresas. “O Brasil tem uma distorção, em relação a outros países, quanto ao percentual de cientistas no mercado de trabalho”, afirmou Armelini baseando-se nos dados de Brito Cruz (confira aqui a apresentação).

Marcio Rillo disse que é inerente à universidade fazer parte dessa discussão e que a formação do Polo deve acelerar o processo de produção do conhecimento na Região. O reitor da FEI reforçou a posição de Fausto Cestari quanto à perenidade necessária ao empreendimento. Nesse contexto, Rillo acredita que as instituições de ensino possuem um papel fundamental não somente na produção do conhecimento, mas também na sustentação do projeto.

Sidney Jard, da UFABC, destacou a necessidade de fortalecer a extensão universitária e também de ampliar a abertura das instituições para todos os atores sociais envolvidos. Segundo ele, a inovação é um vértice onde essa extensão universitária se encontra com as necessidades das empresas, em uma intersecção que se faz imprescindível no Polo Tecnológico (confira aqui a apresentação).

Interface com o setor Produtivo

A conexão do conhecimento produzido pelas universidades com o setor produtivo foi tema do Painel V, do qual fizeram parte Pedro Boscolo e Antonio Carlos Quental, da Quattor (confira aqui a apresentação) ; Carlos José Fernandez, da Scania ( confira aqui a apresentação) ; Sergio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC; Adonis Bernardes, do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá; e Thomaz Jeinsen, do Sindicato dos Químicos do ABC.

Quental expôs um projeto inovador da empresa em conjunto com a Universidade Federal do Rio de Janeiro de um banco para estádios antichamas, exigido pela FIFA para eventos como a Copa do Mundo de 2014. Tal projeto representou um modelo de como poderia ocorrer a interação empresa/universidade no Polo Tecnológico (conifira aqui a apresentação).

Já Jeinsen reiterou a necessidade de o Grande ABC implementar, de fato, ações convergentes, inclusive entre os agentes públicos indutores, e lembrou também que o Polo poderá irradiar trabalho decente para a Região, por meio da valorização e qualificação da mão-de-obra que nele atuará. De acordo com Sérgio Nobre, o Polo Tecnológico pode ser um fator preponderante para fazer com que as micro e pequenas empresas invistam mais em inovação. Para tanto, Nobre explicou que será necessário criar condições favoráveis de acesso à qualificação de mão-de-obra e processos inovadores.

Encaminhamento

A partir dos debates realizados no evento o Grupo de Trabalho Polo Tecnológico do Grande ABC vai elaborar as propostas que resultarão em um projeto detalhado de viabilização do empreendimento. Quando construído, esse detalhamento do Parque será encaminhado à Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, para inclusão da Região no Sistema Paulista de Parques Tecnológicos e implantação das áreas físicas.

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