15/10/2009 10:14
Da AE
A Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) revisou a projeção de queda no faturamento do setor em 2009 após os sinais de recuperação da economia dos últimos três meses, de uma variação negativa de 30% ante o ano passado, projetada no início deste ano, para um recuo de 20% a 21%, segundo o presidente da entidade, Luiz Albert Neto.
O faturamento das empresas do setor passaria, desse modo, de R$ 85 bilhões contabilizados no ano passado – quando houve alta de 23% ante o ano anterior – para R$ 68 bilhões.
Albert Neto, que participou de evento realizado pela Abimaq no Rio, disse que os investimentos no País, refletidos na produção de bens de capital e na taxa de investimento (Formação Bruta de Capital Fixo/Produto Interno Bruto) só deverão retornar ao patamar atingido em 2008 dentro de dois anos.
Desse modo, na expectativa do executivo somente em 2011 o País deverá registrar uma taxa de investimento de 19%, similar à de 2008. Em 2009, a estimativa da Abimaq é que a taxa retorne à média dos últimos 10 anos, em torno de 17%.
Segundo Albert Neto, para que a taxa de investimento chegue ao patamar considerado razoável para o País, de 23%, serão necessários pelo menos mais cinco anos, ainda assim se houver incentivo para a produção local de bens de capital, como desoneração tributária para investimentos, inovação tecnológica e linhas de financiamento de longo prazo “com custo razoável”.
No que diz respeito à desoneração tributária, Albert Neto explicou que a Abimaq propôs emenda à legislação do pré-sal, que está em tramitação no Congresso, que solicita a isenção de impostos como ICMS, PIS e Cofins da cadeia produtiva de fornecedores para o setor de petróleo.
O presidente da Abimaq citou a atual cotação do dólar como um dos principais entraves para o desenvolvimento da indústria de máquinas e equipamentos. Ele disse ser a favor do “câmbio livre”, mas defende que algum mecanismo seja implantado para evitar o apetite de capital de curto prazo no País, que está, segundo ele, sobrevalorizando o real.
Uma das sugestões de Albert Neto é que haja uma penalidade para a retirada de capital estrangeiro que permaneça por menos de 180 dias no mercado brasileiro, por exemplo. Ele lembrou que as exportações do setor caíram 32,8% no acumulado de janeiro a agosto de 2009 ante igual período do ano passado.
Albert Neto também lembrou dados já divulgados pela entidade, de aumento de 17% no faturamento das empresas em agosto ante julho, mas queda de 11% ante agosto do ano passado. O “fundo do poço” para os produtores brasileiros de máquinas e equipamentos em 2009 foi o mês de janeiro, quando o faturamento chegou a cair quase 40% ante igual mês do ano passado.
Fonte: Diário do Grande ABC
