16/11/2011 10:35
A indústria automobilística do País continua blindada contra a crise. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), quase 3 milhões de unidades foram vendidas no País até o fim de outubro deste ano. “Esse número mostra o potencial brasileiro, mesmo com a turbulência econômica mundial”, afirmou ontem o presidente da entidade, Cledorvino Belini. Ainda assim, o setor apresentou desaceleração no último mês. Em outubro, a produção foi de 265,6 mil veículos, índice 9,5% menor que o do mesmo período de 2010.
No mês passado, as vendas totais de veículos no mercado interno – que incluem automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, nacionais e importados – atingiram 280,5 mil unidades, queda de 10% ante setembro e recuo de 7,5% em relação a outubro de 2010. Nos dez primeiros meses do ano, as vendas somaram 2,96 milhões de unidades, crescimento de 5,6% na comparação com veículos comercializados de janeiro a outubro de 2010. “A expansão do crédito foi um dos fatores que mais contribuíram para esse número”, disse Belini. Segundo a Anfavea, em 2010 esse patamar de vendas foi atingido somente no fim de novembro.
Estoques
As vendas expressivas, no entanto, parecem não ter causado impacto nos estoques, uma vez que o acúmulo de veículos já soma 40 dias (número que equivale ao tempo entre a produção e a venda). Esse índice, em setembro, era de 36 dias. Para Belini, tipicamente nos meses de novembro e dezembro há uma injeção maior de capital na economia, por conta do 13º salário, o que ajuda a escoar a produção. “40 dias não nos assusta”, afirmou o executivo.
A projeção de crescimento para a indústria de veículos continua a mesma divulgada em setembro e deve fechar o ano em 5% em relação ao ano de 2010. Já a produção deve ficar 1,1% maior que em igual período de 2010.
A entidade afirma que a produção não está lenta, como sugerem algumas siderúrgicas. Na semana passada, a ArcelorMittal afirmou que a demanda de aço vem caindo no País, principalmente em razão da queda dos pedidos da indústria automobilística. “Em tese, com a maior entrada de veículos importados, o setor reduz os pedidos”, afirma o diretor-técnico da Anfavea, Aurélio Santana.
As exportações apresentaram aumento, em outubro, de 17% em relação ao mesmo período de 2010. No acumulado do ano, o crescimento foi de 4,1% em comparação com o ano passado.
Investimentos
Belini afirmou que os investimentos no setor foram revisados e que devem ficar em cerca de US$ 22 bilhões até 2015. “Acreditamos que o programa de aportes para os próximos anos vai ser muito bom para o País”, destaca. A previsão anterior era de US$ 21 bilhões para o período.
No entanto, os investimentos das montadoras não têm agradado a todos. Trabalhadores da fábrica da Volkswagen de Taubaté, no interior de São Paulo, querem que a política de aportes da empresa atinja a distribuição da produção para todas as unidades da marca no País. Para a categoria, os investimentos não podem prejudicar o emprego nas unidades já existentes no Brasil.
Em assembleia realizada ontem, a montadora negociou com os sindicatos novos investimentos e a instalação de uma nova fábrica no Brasil. Essa pauta também está sendo discutida nas unidades de São Carlos e de São Bernardo do Campo, em São Paulo, e de Curitiba, no Paraná.
Land Rover
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, afirmou ontem que a Land Rover construirá uma fábrica no Brasil. Ele disse que a montadora britânica está com o “projeto pronto” e, sem dar detalhes, disse que o local ainda não foi escolhido, mas já está em negociação. De acordo com o ministro, esta será a primeira fábrica da Land Rover fora do Reino Unido, que não irá operar com o tradicional sistema de montagem de kits (CKD).
O ministro disse que a montadora apresentou sugestões para o decreto a ser editado em dezembro, que flexibilizará as regras de conteúdo nacional para empresas que queiram fabricar carros no Brasil. Segundo Pimentel, as montadoras terão benefícios para os importados mesmo no período de construção das fábricas. A medida também deve ter critérios mais rígidos para a definição de conteúdo nacional.
A Land Rover também seria beneficiada pela nova regra, pois terá um prazo para a obtenção do conteúdo nacional, a ser estabelecido pelo decreto. Procurada, a montadora afirmou que não iria se pronunciar sobre o assunto.
Fonte: DCI
