02/12/2009 13:32
Com a décima alta consecutiva em outubro, a indústria segue em trajetória de recuperação, e já se aproxima de patamares anteriores à crise, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Ao longo deste ano, a produção industrial tem ganho acumulado de 19,5%, insuficiente para retomar o nível notado anteriormente. Na comparação com setembro de 2008, a indústria ainda tem perda de 5,7%.
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Nove setores já recuperaram o nível pré-crise, a maior parte deles ligados ao consumo doméstico, como alimentos, bebidas e produtos de perfumaria. Ao mesmo tempo, segmentos não tão dependentes do mercado interno, como outros equipamentos de transporte e outros produtos químicos também apresentam reversão das perdas em relação ao período anterior à crise, com altas, respectivamente, de 0,1% e 3,2% sobre setembro do ano passado.
“A indústria segue em processo de recuperação, e já opera em patamar semelhante ao que era notado em outubro de 2007. No auge da crise, a produção industrial retrocedeu ao nível de 2004”, afirmou Isabella Nunes, responsável pela Pesquisa Industrial Mensal, divulgada nesta quarta-feira pelo IBGE.
A produção de veículos automotores, afetada de forma contundente pela crise, tem alta acumulada de 107,1% este ano, mas ainda encontra-se 7% abaixo do nível verificado em setembro de 2008.
Os dados de outubro revelam que a alta é sustentada por todas as categorias da indústria, o que, segundo Isabella, demonstra um espalhamento forte desse crescimento entre vários setores. A economista destacou o bom desempenho da produção de automóveis em outubro, na comparação com igual período em 2008. O setor teve alta de 9,7%, impulsionando a produção total de bens duráveis, que subiu 2,8% na mesma relação.
Mesmo com forte queda em relação a outubro do ano passado (-16,8%), a produção de bens de capital mostra boa recuperação nos últimos meses, com sete altas consecutivas. Esse desempenho está diretamente relacionado à produção de caminhões, produtos ligados ao setor de energia elétrica, e à construção civil.
“Esses setores tiveram apoio do governo, seja via desoneração fiscal, ou pela implementação de linhas de crédito especiais. Mostra que essas medidas vêm surtindo efeito”, observou Isabella.
Isabella Nunes lembrou ainda que o resultado de outubro poderia ter sido ainda melhor, já que foram dois dias úteis a menos em relação a igual mês no ano passado.
Fonte: Folha Online
