25/01/2010 10:39
Depois de anunciar a compra da Quattor na sexta-feira, a Braskem parte para ampliação de sua presença no exterior. O principal alvo são empresas dos Estados Unidos, que tem gigantes do setor petroquímico mundial. Com a aquisição no Brasil, formou-se uma ‘superpetroquímica’ no País, e o setor passa a ser dominado por dois grandes grupos: Braskem e Petrobras.
A megaempresa formada com a aquisição da Quattor nasce com sonhos ambiciosos: quer alcançar o quinto lugar no ranking mundial do setor. Para tanto, além da competitividade, a ‘Nova Braskem’, agora a 8ª maior no mundo e 1ª das Américas, deve manter a busca por oportunidades de internacionalização, conforme afirmou Bernardo Gradin, presidente da empresa.
Segundo ele, os projetos na Venezuela, no México e no Peru deverão se consolidar e, em breve, deverá ser anunciada uma aquisição nos EUA. “Vamos crescer na direção dos Estados Unidos para consolidar nossa posição na América”, afirmou. A estratégia vai ao encontro ao posicionamento dos controladores da Braskem – Petrobras e Odebrecht – em fortalecer sua presença internacional.
“Há muito mais capacidade instalada no mundo do que demanda por resinas”, afirmou Gradin. “E quem não tem visão de futuro ficará para trás.”
José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, afirmou que a ‘nova Braskem’ agrega valor ao portfólio de produtos da Petrobras e se alinha com o direcionamento estratégico da companhia. “Será o veículo principal para o desenvolvimento nacional e internacional da petroquímica brasileira”, disse, ressaltando que o acordo feito com a Odebrecht valorizará o papel da estatal na gestão da Braskem. Gabrielli enfatizou que o negócio segue uma tendência mundial, em que as empresas petroleiras têm aumentado sua participação e integração na petroquímica. Nesse sentido, as empresas firmaram ainda um “acordo de associação”, com o objetivo de regular a participação e atuação no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Pelo acordo, a Braskem assumirá as sociedades que desenvolvem as primeira e segunda gerações petroquímicas do Comperj.
A ‘nova Braskem’ contará com 26 plantas, localizadas na Bahia, em Alagoas, São Paulo, no Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, que têm capacidade para processar 5,5 milhões de toneladas de resinas termoplásticas (polietileno, polipropileno e PVC), além de 3,8 milhões de toneladas de eteno.
Mais investimentos
Para garantir a viabilidade da incorporação da Quattor, Odebrecht e Petrobras optaram por criar a holding BRK Investimentos Petroquímicos S.A., da qual detêm 53,79% e 46,21% do capital social votante e total, respectivamente. Na BRK, serão investidos R$ 3,5 bilhões, sendo R$ 1 bilhão da Odebrecht e R$ 2,5 bilhões. Esses recursos serão utilizados na capitalização da Braskem, que deverá ser discutida em até 15 dias, em assembléia geral extraordinária. O aumento de capital deve girar entre R$ 4,5 bilhões e R$ 5 bilhões, e prevê a emissão de 80% de ações ordinárias e 20% de ações preferenciais classe A.
O Acordo de Investimento, como foi chamado o documento oficial, prevê o pagamento de R$ 870 milhões pelas ações da Quattor detidas pela Unipar, incluíndo 100% da Unipar Comercial e Distribuidora e 33% das ações da Polibutenos. A Braskem vai incorporar as ações da Quattor detidas pela Petrobras e, em seguida, fará uma oferta pública para os acionistas minoritários da Quattor. De acordo com Gradin, todas as etapas deverão ser concluídas em 120 dias.
Newton de Souza, diretor executivo da Odebrecht, explicou que a empresa indicará seis representantes do Conselho de Administração da ‘Nova Braskem’, que será formado ainda por quatro representantes da Petrobras. A Odebrecht também indicará o diretor presidente da petroquímica. Na ocasião, Souza confirmou a permanência de Gradin.
Consumidores
A aquisição da Quattor pela Braskem, parece não intimidar o setor de plástico, ainda que represente o fornecimento de matéria-prima por um só produtor. De acordo com Merheg Cachum, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), o País precisava de uma “petroquímica forte” a exemplo do que ocorre no resto do mundo. “A consolidação é uma tendência mundial global, em todos os setores econômicos”, comentou.
Sobre a possibilidade de elevação no preço do produto, o representante da indústria de plástico – terceira geração da cadeia petroquímica – analisa que, como não há fronteiras no mercado mundial, a ‘Nova Braskem’ deverá manter preços competitivos com os disponíveis fora do País. “O horizonte é positivo. Por enquanto é só acompanhar”, disse.
