Mutirão de Crédito no ABC

17/06/2016

Orientações sobre como proceder para regularização de débitos e consultorias estão na lista de serviços gratuitos oferecidos aos micro e pequenos empresários no evento

Nesta sexta-feira, dia 17, micro e pequenas empresas da região tiveram acesso, em primeira mão, às informações sobre os R$ 5 bilhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) que serão destinados ao financiamento de capital de giro. O lançamento da nova linha em todo o país foi feito durante o Mutirão de Crédito Orientado do Grande ABC, realizado pelo Sebrae Nacional, Sebrae São Paulo, Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC e Consócio Intermunicipal Grande ABC.

Mais de 350 pessoas passaram pelo Senac São Bernardo do Campo, que sediou o evento. O Mutirão reuniu, em um único espaço, instituições financeiras públicas, privadas e cooperativas de crédito, consultorias e serviços do Sebrae, bem como atendimentos da Boa Vista SCPC. Todas as atividades foram oferecidas gratuitamente.

O objetivo do evento foi possibilitar ao empresário conhecer pontos a melhorar no negócio, como utilizar melhor o crédito, regularizar a situação cadastral do empreendimento e, mais do que isso, facilitar o acesso às fontes de financiamento, utilizando os recursos de forma consciente.

O presidente do Sebrae Nacional, Guilherme Afif Domingos, participou da solenidade de abertura do Mutirão e falou sobre a importância de garantir aos micro e pequenos negócios acesso a crédito orientado. “Estamos inovando. Procurando abrir para o universo da micro e pequena empresa um horizonte maior de democracia econômica. O sistema do Brasil é altamente concentrado. Essa tem sido luta incessante do Sebrae”, afirmou.

Domingos falou sobre a liberação dos R$ 5 bilhões do FAT anunciada no início de maio pelo Governo Federal. De acordo com o presidente do Sebrae Nacional, o recurso já está disponível, com exceção do BNDES que tem início das operações, por meio de seus agentes, previsto para os próximos dias.

Em relação à realização do Mutirão pioneiramente no Grande ABC, Domingos reiterou que a região foi fortemente afetada pela crise econômica, especialmente na indústria, responsável pela proliferação dos serviços. “Quando a indústria cai, toda atividade cai. Dentro dessa visão, temos que dar oxigênio para que empresas consigam fazer a travessia. E estamos fazendo isso dando pela primeira vez crédito para capital de giro a um custo compatível”, declarou.

Alfredo Spada, um dos proprietários da Spland, indústria plástica instalada em São Bernardo do Campo, foi um dos empresários que participou das atividades em busca de informações sobre linhas de crédito para aquisição de máquinas e para capital de giro. “Estamos investindo, mesmo na crise. Nosso segmento sempre sofreu grande concorrência, especialmente de produtos chineses. Temos sempre que inovar”, contou. A compra de novos equipamentos faz parte de projeto de diversificação de produtos da empresa, uma das estratégias para enfrentar a saturação do mercado.

Danilo Oliveira e Bruna Camargo, proprietários da Consultoria e Administração de Condomínios, de Santo André, recebem desde que iniciaram o empreendimento, em 2014, consultoria do Sebrae. Na manhã de hoje, buscaram informações sobre financiamento para projeto de ampliação da empresa. “Queremos aumentar o número de funcionários e comprar novos equipamentos para atender a demanda crescente que temos”, explicou Bruna. A prestadora de serviços conta com cinco funcionários e prevê a contratação de outros dois, bem como a aquisição de novo veículo. “Nessa crise, a melhor solução é dar incentivo para o empresário crescer e ampliar o negócio. Quanto mais ideias temos, mais dinheiro precisamos”, opinou Bruna.

O presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, professor Joaquim Celso Freire Silva, ressaltou a importância da integração dos diferentes atores locais no processo de retomada do crescimento regional. “Nosso papel é ligar quem faz e quem oferece condições de fazer. Precisamos garantir aos empresários os recursos necessários para que possam transformar nossa região. O que provoca a mudança é o conhecimento e a atitude”, disse.

Programação do Mutirão de Crédito Orientado do Grande ABC:

A porta de entrada dos participantes no Mutirão foi o diagnóstico gratuito executado por pesquisadores do Sebrae para identificar pontos a serem fortalecidos por meio de mudanças na gestão do negócio. Orientação sobre tomada de crédito foi destaque na programação, pois indicou aos empresários a forma mais adequada de financiar investimentos necessários.

Instituições financeiras públicas e privadas estiveram à disposição para apresentar e esclarecer dúvidas sobre as linhas de crédito ofertadas às micro e pequenas empresas. Às 9h30 e às 14h, profissional especializado em finanças do Sebrae ministrou palestra “Faça do Crédito seu aliado e não uma armadilha”. A entidade disponibilizou, ainda, atendimento referente ao Fundo de Aval da instituição – FAMPE, para verificar a possibilidade de o Sebrae ser o avalista de operações de crédito às micro e pequenas empresas.

A Boa Vista SCPC esteve presente no Mutirão promovendo consultas e orientações aos empresários na “faxina cadastral”. Foram disponibilizados consultas de CPF e CNPJ, com orientação de como proceder a regularização dos débitos; cadastro no Radar Pessoal – serviço que realiza monitoramento de CPF e avisa o consumidor se houver inclusões ou exclusões de dívidas num período de 12 meses; distribuição de cartilha do orçamento pessoal; e a possibilidade da adesão ao Cadastro Positivo, que permite o compartilhamento de informações para avaliação do crédito observando o histórico de pagamento do consumidor.

Os empresários também receberam, durante o evento, consultorias gratuitas do Sebrae nas áreas de finanças, marketing, jurídica e administração.

No período da manhã, foi realizada solenidade com autoridades da região e do Sebrae. O presidente da entidade, Guilherme Afif Domingos, entregou às prefeituras certificação do Prêmio Prefeito Empreendedor. O prefeito de Ribeirão Pires, Saulo Benevides e o prefeito de Rio Grande da Serra, Gabriel Maranhão, receberam as certificações. A vice-prefeita de Santo André, Oswana Famelli, representou o prefeito Carlos Grana; o secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São Bernardo do Campo, Hitoshi Hyodo, representou o prefeito Luiz Marinho; e Dr. Roberto Martis, chefe de Gabinete, representou o prefeito de São Caetano do Sul, Paulo Pinheiro.

O selo do Sebrae reconhece gestores que implantaram projetos com resultados comprovados, ainda que parciais, de estímulo ao surgimento e ao desenvolvimento de pequenos negócios e à modernização da gestão pública, contribuindo de forma efetiva para o desenvolvimento econômico e social do município.

FAT direcionará R$ 5 bi para financiar capital de giro às MPEs:

Em maio deste ano, o Ministério do Trabalho e Previdência Social anunciou a criação de nova linha de crédito destinada para micro e pequenas empresas de todo o país, para financiarem capital de giro. Foram disponibilizados R$ 5 bilhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Os recursos serão repassados por meio do Banco do Brasil (R$ 2 bilhões) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES (R$ 3 bilhões).

A linha atende empresas com faturamento entre R$ 360 mil a R$ 3,6 milhões por ano, com taxas de juro anual que variam entre 17% a 19,5%. Há limite máximo de liberação de até R$ 200 mil por empresa. O prazo para pagamento do empréstimo é de até 48 meses, com seis meses de carência.

Como contrapartida ao financiamento, o tomador do crédito deverá se comprometer a manter a quantidade atual de postos de trabalho por pelo menos 12 meses e, nas empresas com mais de dez funcionários, contratar um Jovem Aprendiz.

Na região, de acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, há 230 mil empresas, das quais 208 mil são de micro e pequeno porte (90,5%).

Por segmento de atividades, a maior quantidade de micro e pequenas empresas tem atuação nas áreas de “Comércio, Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas” (79 mil MPEs); “Atividades Administrativas e Serviços Complementares” (14.5 mil MPEs); e “Indústria de Transformação” (12 mil MPEs).

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