DIEESE apresenta panorama da indústria química no ABC ao GT Desenvolvimento Econômico

16/12/2015

Agência GABC participou de reunião do grupo, realizado nesta quarta-feira, na sede do Consórcio Intermunicipal Grande ABC

A Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC participou na manhã desta quarta-feira, dia 16, da última reunião do Grupo de Trabalho (GT) Desenvolvimento Econômico em 2015. Durante o encontro, realizado na sede do Consórcio Intermunicipal Grande ABC, com a presença de secretários e gestores da área nas sete cidades, o economista do DIEESE, da subseção do Sindicato dos Químicos do ABC, Thomaz Jensen, apresentou o “Panorama Setorial do Complexo Industrial Químico do Brasil”, com dados e análises político-econômicas sobre o atual cenário e que apontam possíveis caminhos para fortalecer o setor.

Em todo o país, empresas deste segmento empregam 740 mil trabalhadores, de acordo com da RAIS 2014. Na região, são 37,6 mil pessoas trabalhando nesta indústria, com remuneração média de R$ 3.492,88. “Em termos de emprego, este é um setor que tem impacto muito grande. Maior ainda se considerarmos o Valor Bruto da Produção Industrial Nacional, que representa um terço do total”, disse Jensen.

O economista explicou a organização do complexo industrial químico brasileiro, que pode ser segmentado em três grupos – produtos químicos para uso industrial, produtos químicos para uso final e transformação de plásticos e borrachas. Iniciativas de entidades representativas do setor, a exemplo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), foram mencionadas, como o Pacto Nacional da Indústria Química, lançado em 2009 e que projeta caminho de crescimento setorial com vistas a atingir metas até 2020.

“Passados seis anos desse processo, ainda temos incertezas em relação à principal matéria prima, que é a nafta”, avaliou Jensen, ao ressaltar a importância da compreensão do setor como eixo estruturante da economia brasileira.

Considerando a conjuntura econômica brasileira, o Panorama apresentou o desempenho da indústria química, que faturou, em 2014, US$ 156,7 bilhões, sendo que 46% do total corresponde ao faturamento do segmento de produtos químicos de uso industrial.

O estudo também analisou dados referentes às remessas de lucros e dividendos e amortizações de empréstimos intercompanhias do país no período de 2012 a 2015. De acordo com o documento, as corporações químicas estrangeiras instaladas no Brasil remeteram para suas matrizes, a título de lucros e dividendos, US$ 924 milhões entre janeiro e agosto deste ano. Em 2014, as remessas somaram US$ 2,1 bilhões.

A relação entre empresas e mercados foi explorada, ainda, a partir de informações sobre a balança comercial da indústria química. Entre 2008 e 2015, as exportações de produtos químicos chegaram a representar 6,4% do total das exportações brasileiras, enquanto as importações representaram, no mesmo período, cerca de 20%. Apesar disso, Jensen avalia que há oportunidades de crescimento de exportações. “Sobretudo quando considerada a retomada da pauta exportadora e tendo em vista nossa posição geográfica em relação a mercados da América Latina”, destacou.

A Argentina aparece na liderança dos países que receberam exportações da indústria química brasileira em 2014, com 15,8% de participação. Paraguai, Colômbia, Chile e Venezuela também estão entre os que mais importam do Brasil.

Em relação ao emprego no setor químico, o estudo analisou a quantidade de trabalhadores nos diferentes segmentos, remuneração e taxa de rotatividade. De 2008 para 2014, a taxa de emprego no setor cresceu anualmente, passando de 656 mil para 741 mil. A região sudeste é a que mais concentra mão de obra nesta indústria. A remuneração média real do setor também cresceu de 2008 até o último ano, passando dos R$ 3.033,32 para R$ 3.387,74 em 2014.

O “Panorama Setorial do Complexo Industrial Químico no Brasil e no ABC” foi elaborado pelo DIEESE, Subseção do Sindicato dos Químicos do ABC.

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