Consórcio abre espaço para apresentação da PED à Rede de Gestores de RH do ABC

03/11/2015

Ação apoiada pela Agência de Desenvolvimento Econômico GABC tem por objetivo ampliar acesso a informações sobre o mercado de trabalho regional

Na última semana, integrantes da Rede de Gestores de Recursos Humanos do ABC tiveram a oportunidade de conhecer mais sobre o ritmo do mercado de trabalho da região. Na quinta-feira, dia 29, os profissionais assistiram à apresentação da PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) da região, realizada pela Fundação Seade e pelo Dieese, em parceria com o Consórcio Intermunicipal Grande ABC, na sede da entidade regional, em Santo André.
Antonio Roberto, gerente de RH da Itaesbra, empresa de Diadema que faz parte da Rede de Gestores de Recursos Humanos do ABC, avaliou positivamente a atividade. “Precisamos conhecer as informações para poder traçar soluções e propor alternativas para o que está acontecendo”, disse Roberto, referindo-se aos momentos de queda do nível de emprego, entre outros movimentos do mercado de trabalho.
O assessor técnico do Dieese, Thomaz Ferreira Jensen, iniciou o encontro, realizado com o apoio da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, explicando a metodologia utilizada para o levantamento e análise dos dados, além de esclarecer conceitos utilizados na Pesquisa. Na sequência, Jensen apresentou a PED ABC referente ao mês de setembro, divulgada à imprensa no dia anterior (28).
De acordo com a Pesquisa, a região registrou queda de meio ponto percentual na taxa de desemprego, ao passar dos 13,6%, em agosto, para os atuais 13,1%. Ao mesmo tempo, as demais regiões mapeadas na Grande São Paulo apresentaram elevação ou estabilidade quanto ao número de desempregados.
“Com as informações da PED, esses profissionais terão indicativos importantes de como está a taxa de desemprego, a remuneração média para a região, informações sobre jornada de trabalho, etc. É um privilégio atuar em uma região em que temos um panorama de mercado mensal tão detalhado”, avaliou Thomaz Jensen, lembrando que o ABC é a única área do país, fora de capitais, que conta com uma pesquisa domiciliar específica mensalmente.
Esta é a segunda ação realizada por meio de parceria entre a Agência de Desenvolvimento Econômico GABC e a Rede de Gestores de RH da região. No início de outubro, a Agência participou da 2ª reunião da Rede, subgrupo de Ribeirão Pires. Durante o encontro, realizado na Sorvepan, em Ouro Fino Paulista, a entidade regional apresentou projetos de estimulo à competitividade e ações para promover o fortalecimento de empreendimentos em todo o ABC, além de orientar sobre linhas e fontes de financiamento.
A coordenadora de Convênios e Contratos da Agência GABC, Ana Paula Marinho, falou aos empresários sobre projetos da entidade para ampliar a oferta e a eficácia dos cursos de qualificação profissional na região, com a participação de empresas, sindicatos, prefeituras, Consórcio Intermunicipal e instituições de ensino.
“A Agência está elaborando Guia da Educação Profissional e Tecnológica do ABC, que listará todos os cursos disponíveis atualmente. Também estamos trabalhando para a realização de seminário sobre o assunto”, explicou.
Marcelo Dantas Fonseca, que lidera os grupos da Rede de Gestores de Recursos Humanos nas sete cidades do ABC, também avalia positivamente a parceria. “Os profissionais de RH não têm conhecimento sobre o trabalho que a Agência realiza. Por essa razão é fundamental aproximar os grupos e a entidade, para que troquem experiências e informações que contribuam para o crescimento de todos”.

PED ABC – Setembro de 2015:
O contingente de desempregados foi estimado em 182 mil pessoas, 6 mil a menos do que no mês anterior. Este resultado decorreu do aumento do nível de ocupação (geração de 18 mil postos de trabalho, ou 1,5%) em número superior ao crescimento da População Economicamente Ativa – PEA (ingresso de 12 mil pessoas na força de trabalho da região, ou 0,9%).
Entre agosto e setembro, nos domínios geográficos para os quais os indicadores da PED são calculados, a taxa de desemprego total elevou-se nos demais municípios da RMSP, excluindo a capital (de 14,4% para 14,9%) e, em menor proporção, na RMSP (de 13,9% para 14,2%) e permaneceu estável (13,6%) no município de São Paulo.
Na Região do ABC, o contingente de ocupados aumentou 1,5%, passando a ser estimado em 1.211 mil pessoas. Setorialmente, esse resultado decorreu da elevação do nível de ocupação nos Serviços (2,7%, ou geração de 18 mil postos de trabalho) e no Comércio e Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas (4,6%, ou 9 mil), enquanto houve redução na Indústria de Transformação (-1,9%, ou eliminação de 5 mil postos de trabalho).
Para o secretário Executivo do Consórcio Intermunicipal Grande ABC, Luís Paulo Bresciani, os sinais positivos indicam que o número de desempregados pode continuar caindo. ‘’Não temos um cenário configurado. O segundo semestre costuma reverter a curva e setembro tem comprovado isso. Há sinais bons para que desemprego apresente redução dentro da região’’, avaliou.
Segundo posição na ocupação, o número de assalariados permaneceu em relativa estabilidade (0,2%). No setor privado, variaram positivamente os contingentes de empregados com e sem carteira de trabalho assinada (0,4% e 1,2%, respectivamente). No setor público, o número de assalariados diminuiu em 2,8%. No mês em análise, reduziu-se o contingente de autônomos (-0,5%) – com retração dos que trabalham para empresas (-7,1%) e crescimento dos que trabalham para o público (6,5%) – e elevou-se o dos ocupados nas demais posições (7,4%).
Em setembro, a média de horas semanais trabalhadas manteve-se estável entre os ocupados e os assalariados (41). A proporção dos que trabalharam mais de 44 horas semanais reduziu-se para os ocupados (de 29,2% para 28,0%) e assalariados (de 26,0% para 24,6%).
Entre julho e agosto de 2015, mantiveram-se relativamente estáveis os rendimentos médios reais de ocupados (0,1%) e assalariados (0,3%), que passaram a equivaler a R$ 2.054 e R$ 2.133, respectivamente. Apesar da recuperação, o técnico da pesquisa ressaltou que o custo de mão de obra no Brasil está mais barato que o dos vizinhos da América do Sul. ‘’Isso se dá por conta da desvalorização do real. O ABC é tido como um dos locais com melhores remunerações no país, e por conta desse componente acaba não espelhando o cenário nacional’’, comentou Thomaz.
Diminuiu a massa de rendimentos dos ocupados (-1,2%) e praticamente não variou a dos assalariados (-0,2%). No caso dos ocupados, tal resultado deveu-se à redução do nível de ocupação, uma vez que variou positivamente o rendimento médio real, e, entre os assalariados, a relativa estabilidade decorreu, principalmente, da redução do nível de emprego.
COMPORTAMENTO EM 12 MESES:
Em setembro de 2015, a taxa de desemprego total na Região do ABC (13,1%) ficou acima da observada no mesmo mês de 2014 (11,0%). Em termos absolutos, o contingente de desempregados ampliou-se em 29 mil pessoas, como resultado da redução do nível de ocupação (eliminação de 25 mil postos de trabalho, ou -2,0%) e da ligeira variação positiva da População Economicamente Ativa – PEA (ingresso de 4 mil pessoas na força de trabalho da região, ou 0,3%).
O técnico lembrou que, embora a taxa esteja em patamar elevado, a região dificilmente irá alcançar o pico da década de 1990, quando a taxa de desemprego atingiu números recordes. ‘’É evidente que a região tem sentido o impacto da macroeconomia, mas estamos longe das taxas históricas da década de 1990 e da virada para os anos 2000. Naquele tempo o índice de desemprego ultrapassava 20%” disse Thomaz Jensen.
Entre setembro de 2014 e de 2015, o nível de ocupação diminuiu pelo décimo terceiro mês consecutivo, nessa base de comparação (-2,0%). Sob a ótica setorial, tal resultado decorreu das reduções na Indústria de Transformação (-19,7%, ou eliminação de 63 mil postos de trabalho) – com destaque para o segmento da metal-mecânica (-21,3%, ou -36 mil) – e na Construção, parcialmente compensadas pelos aumentos nos Serviços (6,4%, ou geração de 41 mil postos de trabalho) e no Comércio e Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas (4,1%, ou 8 mil).
O secretário Executivo destacou a importância da Indústria de Transformação para a revitalização da economia regional. ‘’A média do emprego industrial no ABC ainda é superior ao restante do país. Devemos aguardar o início do ano que vem para termos clareza da real situação do setor’’, defendeu.
O nível de assalariamento reduziu-se em 5,6% nos últimos 12 meses. No setor privado, diminuíram os contingentes de assalariados com e sem carteira de trabalho assinada (-8,6% e -5,6%, respectivamente). O emprego público expandiu-se em 19,5%. No período em análise, elevaram-se o número de autônomos (5,6%) – com aumento dos que trabalham para empresa (11,4%) e para o público (3,6%) – e o dos ocupados nas demais posições (6,1%).
Entre agosto de 2014 e de 2015, retraíram-se os rendimentos médios reais de ocupados (-7,9%) e assalariados (-7,7%). Também contraíram-se as massas de rendimentos reais dos ocupados (-9,9%) e dos assalariados (-10,9%), em ambos os casos, devido às reduções nos rendimentos médios reais e, em menor proporção, no nível de ocupação.
Jensen destacou a inflação como possível fator para a redução da massa de rendimentos dos ocupados (-1,2%). ‘’Esses são componentes que podem explicar a queda. Ainda assim, acredito que quando a inflação se estabilizar poderemos ter uma recuperação até mais rápida que outras regiões do país’’, sinalizou.
(Com informações do Consórcio Intermunicipal Grande ABC)

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