Brasil deve impulsionar Volkswagen mundial

22/10/2009 09:39

A Volkswagen do Brasil brigará em 2010 para tirar a Fiat da posição de liderança de vendas de comerciais leves no País, onde se encaixam desde picapes a modelos utilitários. A promessa foi feita ontem pelo presidente da Volks do Brasil, Thomas Schmall, em evento comemorativo aos 50 anos da fábrica da Anchieta (localizada em São Bernardo, Grande São Paulo), a primeira fábrica da companhia fora da Alemanha.

Para o desafio, a montadora conta com o lançamento neste ano da picape média Amarok, que começará a ser comercializada no primeiro trimestre de 2010. A Volks também lançou, neste ano, a Nova Saveiro, o que deve ajudar no aumento das vendas da companhia no segmento dos comerciais leves. “Iremos atacar a liderança da Fiat”, enfatizou Schmall. No acumulado do ano até setembro, a Fiat comercializou 85,2 mil comerciais leves, seguida da Volks, com 42,1 mil unidades, segundo dados da Anfavea.
O Brasil é uma das prioridades do grupo Volkswagen em sua meta de assumir a liderança mundial da indústria automobilística na próxima década, superando a General Motors e a Toyota. Foi o que afirmou o executivo do conselho administrativo da companhia alemã responsável por compras e pela América do Sul, Francisco Javier Garcia Sanz.

“A estratégia de longo prazo é ser o número um antes de 2018 e atualmente investimos em mercados globais para atingir nossos objetivos”, afirmou, citando China, Rússia, Índia e Brasil.

Garcia Sanz, que veio à região para participar ontem da comemoração do aniversário de 50 anos da fábrica Anchieta, destacou a importância do País para a montadora.

Terceiro maior mercado para a empresa, atrás apenas da China e Alemanha (respectivamente o primeiro e o segundo), o Brasil pode avançar uma posição se crescer 4% ao ano até 2014, segundo o executivo.

Ainda na avaliação de Garcia Sanz, há boas oportunidades a serem exploradas no País. Ele cita que, enquanto no Brasil há sete habitantes por veículo, no México, por exemplo, são apenas cinco habitantes por veículo.

Outro fator é o bom desempenho da marca no mercado nacional, com crescimento da ordem de 70% nas vendas internas nos últimos três anos – passou de 350,5 mil em 2005 para 585 mil unidades comercializadas em 2008.

Neste ano, de janeiro a setembro, os emplacamentos de automóveis e comerciais leves da Volkswagen no Brasil avançaram mais de 12% em comparação com igual período de 2008. A expansão é maior do que a média do segmento, que cresceu 5%.

O presidente da subsidiária brasileira, Thomas Schmall, assinalou que, em função desse ritmo e de novos lançamentos, será possível brigar pela primeira colocação no segmento de comerciais leves, que é liderada atualmente pela Fiat. Em automóveis, a Volks já é a primeira do ranking nacional.

Para isso, a empresa lançou em agosto deste ano o novo Saveiro e a picape Amarok chegará às concessionárias no primeiro trimestre de 2010.

Outra meta da empresa é comercializar 1 milhão de veículos em 2014. Em 2008, foram 640 mil.

A companhia planeja ainda crescer de 1% a 2% acima da média do setor nos próximos cinco anos, período para o qual Schmall projeta que a indústria automobilística terá expansão de 38%.

CONFIANÇA – Garcia Sanz demonstrou confiança na economia brasileira. “A crise afetou o Brasil, mas houve uma resposta rápida do governo. Há tendência de recuperação desde o início do ano”, afirmou.

Segundo ele, é preciso analisar com cuidado o impacto da gradual volta do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre os carros. Isso não deve impedir que, em breve, a empresa anuncie novos investimentos no mercado nacional.

Montadora cria fundo para apoiar fornecedores

Para crescer em ritmo acelerado, a Volkswagen do Brasil lançou há poucos dias um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) voltado a apoiar o desenvolvimento das empresas de autopeças.

O fundo, com estimados US$ 600 milhões, foi montado pelo Bank of New York Mellon para financiar os fornecedores da montadora com juros inferiores aos de mercado.

Em caráter piloto, a iniciativa – que vai abranger inicialmente 40 empresas – funciona da seguinte forma: com o lastro em faturas de boa qualidade (de encomendas para a Volks), pequenas e médias indústrias de autopeças podem capitalizar-se com a venda de cotas desse fundo para investidores.

Segundo o professor de economia Antonio Colangelo Luz, da Escola de Negócios Trevisan, a operação também é interessante para o banco, porque não entra como empréstimo, mas sim como investimento. “E tem a garantia do ativo que está dentro desse fundo (ou seja, a fatura da montadora)”, afirmou.

“O banco vai vender a cota e terá facilidade porque o ativo é de boa qualidade”, acrescentou.

Qual o risco do investidor? Luz explica que, nessas operações, há um rating (classificação de risco) e, eventualmente, algum fornecedor pode não gerar duplicatas suficientes para fazer o fundo girar – as duplicatas vencem em prazo curto e são colocadas outras no lugar. “Mas o risco não é tão elevado.”

Luz avalia que essa é uma tendência. A experiência já é adotada, por exemplo, pela Petrobras para o financiamento a seus fornecedores.

Planta foi um marco para o setor e para a engenharia nacional

A fábrica Anchieta foi um marco para a indústria automobilística no País. A partir de sua inauguração, foi criada uma rede de prestadoras de serviços e a engenharia brasileira mostrou sua capacidade de inovação.

Nos anos 1970, saíram da planta fabril os primeiros modelos genuinamente nacionais, a Brasília, o SP1 e o SP2, e a empresa lançou o seu primeiro modelo com motor refrigerado a água e tração dianteira, o Passat.

A Volks também foi a primeira a produzir um carro bicombustível. Atualmente, 89% dos carros que saem das fábricas são flex fuel.


Fonte:
Diário do Grande ABC

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