23/09/2009 20:42
A nota de crédito (rating) para a dívida do Governo do Brasil em moeda local e estrangeira passou do grau especulativo Ba1 para Baa3, patamar inicial para créditos com grau de investimento, com cenário estável. “A perspectiva para os novos ratings é positiva”, informa o comunicado.
“A elevação reflete o reconhecimento pela Moody’s de que a capacidade de absorção de choques, incluindo a capacidade de resposta das autoridades, aponta para uma melhora significativa do perfil de crédito soberano do Brasil”, afirmou Mauro Leos, Regional Credit Officer da Moody’s para a América Latina.
“Evidências de robusta flexibilidade econômica e financeira, tipicamente associados a créditos com grau de investimento, podem ser vistas na rápida contração do PIB, no enfraquecimento mínimo das posições de reservas internacionais do país, na moderada deterioração dos indicadores de dívida do governo e na ausência de estresse financeiro no sistema bancário” afirmou Leos. Estas características sugerem que o Brasil é um “vencedor” se comparado aos outros países classificados pela Moody’s.
De acordo com Henrique Meirelles, presidente do Banco Central (BC) a elevação do rating brasileiro pela Moody’s é o “selo” que confirma que o País sai da crise mais rápido e mais forte que outras economias. “Esperamos movimentos semelhantes das outras agências, especialmente da S&P. O mínimo que eles podem fazer é empatar o jogo”, acrescentou.
Marcelo Faro, economista-chefe da Korus Investimentos sinalizou que a demora para conceder o grau de investimento aconteceu devido aos padrões mais rigorosos da agência em conjunto com o período instável. “A Moody’s era a única agência que não tinha dado o rating, por ser considerada a mais rigorosa. Eles até iriam divulgar antes, mas veio a crise e a agência resolveu esperar o posicionamento do Brasil. Com a capacidade de resposta do País eles concederam”, explicou Faro.
Segundo o professor de economia do Mackenzie, Arnaldo Francisco Cardoso, a nova avaliação é importante por seu impacto potencial nos investimentos estrangeiros no Brasil. A classificação de risco é uma ferramenta usada pelos investidores na hora de decidir onde irão aplicar o dinheiro. As notas concedidas pelas agências indicam qual é o risco de calote para o investidor internacional.
“A elevação reflete o amadurecimento das instituições brasileiras e a estrutura de política, como foi evidenciado pelo alívio da carga de dívida fiscal e externa e [reflete] as melhores perspectivas de tendência de crescimento”, diz o economista-chefe da Korus.
“O comportamento do Brasil durante a crise deu espaço para a Moody’s fazer isso. A economia doméstica está se sustentando bem, o risco-país se mantendo na faixa dos 220 pontos, o crescimento econômico está bom, tanto que o BC está mostrando responsabilidade quanto à inflação”, afirma o diretor presidente da Fractal, Celso Grisi
Ainda que a economia apresente crescimento negativo do PIB em 2009 e as contas fiscais sofram deterioração em relação aos anos anteriores, afirmou Leos, o desempenho geral do Brasil provou ser melhor do que a maioria dos países classificados como grau de investimento na categoria Baa.
“A notável melhora apresentada na estrutura de dívida do governo foi um fator importante para a elevação do rating”, argumentou Mauro Leos.
Grisi conclui ao salientar que a reserva do Brasil foi recomposta e hoje está próxima dos US$ 210 bilhões, “nossa capacidade de pagamento é grande, nossa indústria e agricultura são fortes, mesmo com a crise, a Moody’s está atrasada, já devia ter concedido o rating antes.”
Fonte: DCI
