19/07/2010 11:11
O setor de automóveis voltou a apresentar índices positivos de vendas após ter passado por um período de crise. Este primeiro semestre representou o melhor desempenho da história para os segmentos automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus de acordo com a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). O destaque ficou com o setor de caminhões, que cresceu 54,57% no semestre em comparação com o mesmo período de 2009.
No acumulado de janeiro a junho, os emplacamentos do setor automotivo – composto por automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motos, implementos rodoviários e outros veículos como carretinhas de transporte de jet sky e motos – tiveram alta de 9,29% quando comparado com o ano passado. O número passou de 2.256.987 unidades em 2009 para 2.466.630 neste primeiro semestre.
Para este ano, a previsão da Fenabrave é de que sejam emplacados 5,1 milhões de unidades no ano, com crescimento de 7,82%. O líder de vendas continuará a ser os caminhões, que contabilizarão 152.714 mil unidades, numa evolução de 39,92%, enquanto as vendas de ônibus crescerão 17,41%, num total de 26.528 mil unidades. Já os emplacamentos de automóveis e comerciais leves alcançarão 3,2 milhões de unidades comercializadas, numa alta de 6,49% e as motocicletas prometem registrar aumento de 7,99%, totalizando 1,7 milhão de unidades.
Caminhões e ônibus em alta
Um dos responsáveis pelo desempenho positivo no setor, os caminhões apresentaram 54,57% mais emplacamentos do que no ano passado. Foram comercializados 70.880 unidades de janeiro a junho deste ano, contra 45.857 caminhões no mesmo período de 2009. Outro segmento que teve suas vendas elevadas foi o de ônibus, com alta de 30,31% em relação a 2009. O número de vendas neste setor passou de 10.085 no ano passado para 13.142 unidades neste primeiro semestre.
Para o gerente comercial da Apta, Antonio Pascoal Parames, 2010 será o melhor ano da história para o segmento de ônibus e caminhões, já que o mercado estava estagnado e agora começou a reagir.
“O mês de junho foi o melhor da história da Apta e a tendência é de que os próximos três anos sejam de crescimento. Para se ter uma ideia, em 2008 vendemos cerca de 118 mil unidades e neste primeiro semestre já passamos esta marca”, comemora.
Recalls são reflexo do aumento da produção
O número de recalls em veículos automotores chegou a 35 neste ano, cinco a menos do que o registrado em todo o período de 2009. Para o engenheiro conselheiro da SAE Brasil, Francisco Satkunas, o problema se deve a retomada da produção da cadeia automobilística após o término da crise econômica que atingiu o setor no fim de 2008.
Outro ponto tido como agravante para o aumento dos recalls é a complexidade observada na construção dos veículos, que chegam a ter em média três mil itens, além da necessidade de contratação de mão de obra, que nem sempre esta capacitada. “O aumento no volume da produção acarretou a contratação de pessoas que precisaram ser treinadas”, observa Satkunas.
Neste ano, foram sete chamamentos para motos, 11 para veículos importados e 17 para automóveis nacionais até o último dia 8 de julho. Em 2009, 723 mil veículos foram convocados por 45 recalls, número considerado alto pelo engenheiro. “Em média, 70% dos problemas estão nos fornecedores e aproximadamente 20% são proveniente da montagem dos automotores nas montadoras”, destaca.
Apesar de o chamamento para o recall ser devido a algum problema que coloque em risco a integridade das pessoas, 60% dos proprietários convocados não encaminham seus veículos para o atendimento gratuito. “Infelizmente, tanto aqui quanto nos Estados Unidos, muitas pessoas não atendem ao recall porque acreditam que não terão problemas”, ressalta Satkunas.
Fonte: Repórter Diário
