Mercado prevê alta de dois dígitos do PIB e juro a 10,25%

08/06/2010 11:30

O mercado financeiro inicia a semana com atenção voltada aos resultados dos principais índices econômicos. Dentre eles, hoje, será anunciado o fechamento do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre deste ano, o qual deve apresentar forte alta, segundo a maioria dos economistas. Amanhã sairá a decisão sobre a nova taxa básica de juros (Selic), pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). A previsão do mercado é de que haja uma elevação de 0,75 ponto percentual.

No entanto, não há um consenso entre especialistas de qual deve ser o crescimento econômico do primeiro trimestre, assim como em termos anualizados. “O PIB vai se mostrar muito forte neste começo de 2010”, avalia o analista da Tendências Consultoria, Bernardo Wjuniski. Da mesma forma, acredita o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira.

Para a Tendências, a perspectiva é de que o PIB suba 2,5% no primeiro trimestre se comparado ao quarto trimestre de 2009, com alta de 10,4%, em termos anualizados. Frente ao mesmo trimestre do ano passado, a economia deve ter avançado 8,8%, na afirmação de Wjuniski. “O forte aquecimento verificado no início de 2010, reforça que o primeiro trimestre aponta crescimento alto para o ano [6,6%], mesmo que ocorram desacelerações nos próximos períodos”, diz. Em 2011, “por conta da base de comparação ser muito superior [2010]”, devemos esperar um crescimento econômico de 4,5%.

Na opinião de Oliveira, as elevações estimadas para a Selic impediram que o PIB brasileiro crescesse ao patamar da economia chinesa. “As novas altas da Selic devem afetar o PIB, por isso antes, minha previsão era de que a economia avançasse entre 9% a 9,50%, agora, acredito que deve fechar entre 6% e 6,5%”, aponta.

De acordo com o relatório Focus, divulgado ontem pelo BC, a expectativa é de que o PIB termine 2010 a 6,6%, alta se comparado ao último relatório (6,47%).

Bernardo Wjuniski prevê que o Copom decida aumentar a Selic em 0,75 ponto percentual, fechando, este ano, a 12,25%. Para o IPCA, o especialista projeta alta de 5,4%. O vice-presidente da Anefac, também acredita que o Comitê suba ao mesmo estimado pela Tendências, terminando 2010 entre 12,5% ou 13%.

Para o consultor econômico da WinTrade, José Góes, a economia continua aquecida e aumenta a pressão sobre os preços. “As expectativas para o IPCA no ano que vem e para os próximos 12 meses continuam acima do centro da meta, indicando a continuidade do ritmo de elevação da taxa de juros”, explica ele, que também projeta alta da Selic em 0,75 ponto percentual na próxima reunião.

De acordo com o relatório Focus, o mercado financeiro espera que nas três próximas reuniões (junho, julho, agosto) do Copom, a Selic deve se elevar em 0,75 ponto percentual cada, finalizando o ano em 11,75%. Na semana passada, o mercado trabalhava com duas altas de 0,75 ponto percentual e mais duas de 0,50 ponto percentual em setembro e 0,25 ponto porcentual em outubro, em direção ao patamar de 11,75% ao ano. Para 2011, os economistas prevêem alta da taxa de 0,25 ponto percentual e encerrando o ano com recuo em 11,5%.

Segundo a pesquisa do BC, a expectativa sobre a Selic gira em torno de um IPCA finalizado a 5,64%. O prognóstico do principal índice de preços responsável pela inflação foi menor neste relatório se comparado ao valor de 5,67%, estimado na semana passada e após sucessivas altas desde o começo de 2010. Para 2011, a previsão é a mesma há oito semanas (4,80%). “Os apertos monetários decididos pelo Copom deverão desacelerar a inflação. Nossa expectativa é de que somente no próximo ano, a inflação seja convergida ao centro da meta [4,50%]”, ressalta Wjuniski.

A produção industrial deve crescer 11,34%, alta ante o estimado anteriormente (11%) para este ano. Em 2011, a previsão foi mantida a 5% de crescimento.

O mercado financeiro subiu de 8,73% para 8,76% a estimativa sobre o IGP-DI neste ano e manteve a 5% para 2011. Sobre o IGP-M, também houve leve alta nas previsões, passando de 8,82% para 8,84% em 2010. Ao contrário, a expectativa do IPC-Fipe caiu para 4,40%, neste ano, ante previsão anterior de 5,44%. No ano que vem, o índice se manteve a 4,50%.

Sobre o câmbio, o prognóstico se mantém a R$ 1,80 pela décima primeira semana, para 2010 e há sete semanas a R$ 1,85 para 2011. Sem muita alteração ficou a projeção para a dívida líquida do setor público, neste ano, (passando de 41,10% do PIB para 41% do PIB) e, em patamar estável a 39,70% do PIB, em 2011.

Fonte: Fernanda Bompan – DCI

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