28/01/2010 15:10
Em sua primeira reunião deste ano, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira, por unanimidade, manter a taxa básica de juros, a Selic, em 8,75% ao ano. Trata-se da quarta manutenção seguida dos juros básicos brasileiros, que ao longo de 2009, caíram em cinco reuniões consecutivas.
A decisão veio em linha com as expectativas do mercado financeiro, que prevê elevação apenas na reunião de abril, para 9,25%. Segundo economistas, a Selic deve terminar 2010 em 11,25% ao ano. Apesar da manutenção de hoje, os juros básicos brasileiros se mantêm no menor patamar da série histórica do Comitê, iniciada em 1996.
Em comunicado, o colegiado justificou a decisão: “Avaliando a conjuntura macroeconômica e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 8,75% ao ano, sem viés. O Comitê irá acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária”.
A reunião do Copom é dividida em duas partes, com o primeiro dia de reunião na terça-feira e o segundo dia na quarta-feira, quando é anunciada a decisão sobre a taxa. Na quinta-feira da semana que vem (4), o Copom divulga a ata da reunião ocorrida entre ontem e hoje. Os diretores do Colegiado voltam a se reunir para definir os rumos da política monetária nos dias 16 e 17 de março.
Ranking – Apesar da manutenção da Selic em 8,75% o Brasil retomou a liderança do ranking de países com as maiores taxas de juros reais (descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses) do mundo, elaborado pela UpTrend Consultoria Econômica. O País havia deixado a liderança há nove meses.
Os juros reais brasileiros estão atualmente em 4% ao ano. Em seguida, aparece a Indonésia (juros de 3,6% ao ano) e a China (3,3% ao ano).
O que é a Selic – O BC utiliza a Selic para controlar a inflação no País. Quando os juros caem muito, a população tem mais acesso ao crédito e, como consequência, o consumo aumenta. Ao elevar os juros, o crédito fica mais caro e a autoridade monetária acaba impedindo o crescimento dos gastos da população, evitando, dessa forma, o aumento dos preços.
Porém, a crise financeira mundial, que se agravou em meados de setembro de 2008, pediu corte nas taxas de juros porque restringiu o crédito no País e porque poderia prejudicar o crescimento da economia brasileira.
Trajetória – Os juros estavam estacionados em 11,25% ao ano desde setembro de 2007. Em abril de 2008, o Copom deu início a uma sequência de altas para tentar conter a inflação no País, elevando a Selic para 11,75%. A série de aumentos só parou na reunião de outubro de 2009 – diante do agravamento da crise mundial –, quando a Selic foi mantida em 13,75%.
Na primeira reunião do Copom no ano passado, a Selic foi reduzida de 13,75% ao ano para 12,75% ao ano. Em março, caiu para 11,25% ao ano, com nova redução em abril para 10,25%. Em junho houve um novo corte de 1 ponto percentual para 9,25% ao ano e em julho o comitê reduziu o ritmo, com uma queda de 0,5 ponto percentual para 8,75% ao ano. Em setembro, outubro e dezembro, o Copom decidiu pela manutenção dos juros básicos.
Fonte: Diário do Grande ABC
