23/02/2012 11:59
Localizado em Santo André e especializado em bebidas importadas, o Empório Internacional tem como público-alvo consumidores de classe média. O dono do estabelecimento, Jaime Gedankien, revela que a quantidade de clientes deste perfil diminuiu. “A classe média está com cada vez menos dinheiro. A classe mais baixa não compra aqui e a mais alta também não”, revela.
O pequeno empresário relata que a concorrência com a Capital está levando clientes embora. “Não dá status comprar aqui, dá status comprar em São Paulo. É etiqueta”, reclama.
A mudança de perfil do cliente consumidor de importados pode ser observada também em loja especializada em produtos japoneses, em São Bernardo. Responsável pela compra dos produtos do estabelecimento, Pedro Inohue conta que antigamente as vendas eram mais significativas. “Antes o pessoal gastava mais. Hoje só compra o essencial”, afirma. “O consumidor antes era majoritariamente japonês, ou ligado à cultura oriental. Hoje há muitos brasileiros”, comenta.
Impacto nas lojas é desconhecido
O tamanho da presença de produtos importados no comércio varejista do ABC ainda é desconhecido. Não há dados consolidados que revelem a quantidade de itens oriundos de outros países nas lojas dos sete municípios. A percepção de comerciantes, dirigentes e especialistas varia muito.
“Acredito que a incidência [de importados] é muito pequena, há poucas lojas de artigo eletrônico em Santo André. Não vejo o centro com vocação para esse tipo de produto, ao contrário do que acontece com as ruas 25 de Março e Santa Efigênia”, avalia o vice-presidente da Sociedade Oliveira Lima (SOL), Flávio Martins.
O empresário conta que chegou a tentar reproduzir em Santo André modelo semelhante ao da Galeria Pajé: um prédio que abriga várias lojas de eletrônicos, com vários itens importados. A empreitada não teve sucesso. “Não vi nenhuma procura, o resultado acabaria sendo muito pequeno. O consumidor acaba indo pra São Paulo”, avalia Martins.
Mas para a Agência de Desenvolvimento Econômico Grande ABC a presença dos importados na região é cada vez mais significativa. “Os importados estão muito presentes no setor de brinquedos, têxtil e material de construção”, acredita Valter Moura, presidente da entidade. “Os produtos Made in China estão imperando no mundo inteiro. Não só no Brasil ou no ABC”, calcula.
Fonte: Repórter Diário
